quarta-feira

Construção da Embarcação (2ª parte)


                                                     PARTE "2"
  • Palamenta (velas e etc)     "Tópico em construção"
  • Testes de Mar / Legalização da embarcação "Tópico em construção"
  • Viagem inaugural  "Tópico só em Julho"


A minha experiência nestas coisas da madeira é muito pouca,
como tal, este topico  não é um tutorial...
mas fica uma ideia dos passos que tivemos de dar...



O intervalo de uns 4 messes foi bom,
trouxe-nos novas oportunidades e novos horizonte...
deu para conhecer novas embarcações e o resto da costa Portuguesa que faltava,
aprendermos mais umas coisitas sobre o grande "mundo da vela"...






...e fez-nos regressar aos trabalhos com outra motivação.





Fizemos umas tampas para as escotilhas principais.
Usamos madeira de abeto e contraplacado de 4mm,
ficando leve e resistente o suficiente, e o mais simples possível...

Visto não haver orçamento para pinças XL, (pois custam uns 2€ cada uma), 
com um tubo de PVC cortado às tiras foram feitas umas espécies de pinças, 
que resultam muito bem, talvez melhor que as próprias pinças de mola...





Misturamos o epóxi dezenas e dezenas de vezes,
mas uma dessas vezes por alguma razão ou distracção misturamos mal os dois componentes...
Resultado: a taça de plástico quase derreteu e todo o cuidado é pouco... porque isto deve queimar a pele...

Na foto podemos ver uma taça no seu tamanho normal, e a outra que derreteu com a mistura de 50g mal feita...


Colamos as cobertas já com o tamanho final
e por fim, fizemos umas filetes (epóxi com micro balões) as preencher todos os espaços, para depois ser tudo arredondado à lixa... e "vira milho..." que a coisa ficou com excelente aspecto.
30 Outubro 2018




Na popa fez-se o mesmo...






Foi dia de "vestir" uma grande parte do casco de bombordo...
Uns chamam fibrar ou laminar...
Talvez os dois termos estejam correctos, porque faz-se uma espécie de laminagem com tecido de fibra e epóxi, que deixa no final um acabamento parecido ao verniz.

Este "acabamento" entre aspas vai dar uma resistência brutal à madeira sem aumentar significativamente o peso (+/- umas 400 gramas no total)...
Também vai criar uma película protectora de elevadíssima qualidade à humidade.
O "ANTES" e o "DEPOIS"




As atenções virão para a pá de leme e inclinação a dar à cana de leme
Depois de muito pensar na inclinação a dar, escolhemos deixar a extremidade da cana de leme a uns 40cm de altura do estrado.





Já dizia o meu Pai: 
"-Dá uma tarefa dificil a um preguiçoso, que ele arranja maneira de a tornar facil..."
Não falha!! e eu tenho preguiça para dar e vender eheheh

Calibrar as vigas de união das pirogas parecia ser um trabalho de paciência e demorado...
era 4 extremidades que tinham que ficar com um ângulo igual...
Como tal... a preguiça falou mais alto e fizemos uma bancada e um "gingarelho para uma plaina...
As 4 extremidades ficaram tipo fotocopia a cores de alta qualidade...

Os planos do Hitia 14 dizem para cortar 210mm de largura por 19mm em altura;
mas segundo as minhas contas, tudo indicava para cortar 210mm por 9mm.
Algo estava errado... ou era os planos, ou eu tinha errado na curvatura das vigas.
Verifiquei tudo mais que uma vez ou duas, e só podia ser erro dos planos...
Mais tarde falei com um proprietário dum Hitia 14 que me disse ter feito com as medidas dos planos e nunca conseguir encostar totalmente a base das vigas às pirogas...




Usamos novamente a bancada das vigas mas desta vez para fazermos um pequeno molde (gabarito) para curvar as canas de leme.

James Wharram projectou o HITIA 14 com as canas direitas, mas eu tinha visto este tipo de cana curva nos Tiki dos Wharram, e agradou-me a ideia...

Basicamente a cana é comprida, e com curvatura vai evitar que saia fora das pirogas quando se vira de bordo.
Na realidade elas vão sair bastante, mas não tanto como se as canas fossem direitas.


O "TILLER XBAR" ou como raio se chama?? que eu não sei o seu nome em Português!!  foi laminado com duas ripas de abeto, e ficou com menos 20cm
(mais pequeno, mais leve e melhor em manobras)





"Dolphin Striker" ou simplesmente "Striker", é nome desta peça que sobressai na cor...
O nome técnico dela em Português eu não sei,
apenas sei que vai suportar as forças verticais na viga principal.

Embora a viga seja robusta "qb" para aguentar com o peso dos passageiros, mastro, força do vento e etc...  está peça dá um reforço extra de uns 500kg  depois de aplicada com um cabo de 3mm de dyneema.






Para optimizar o nosso tempo, fazemos outras pequenas peças durante os outros processos,
por serem tão pequenas e necessitarem de pouco epóxi (do tipo 5g ou menos);
...e como não é recomendado fazer misturas com essas quantidades, elas são coladas e impermeabilizadas com restos de epóxi dos outros trabalhos...

Fixação do mastro...

Fibra de carbono 2mm + 8mm de contraplacado = para a união dos cabos das proas para o cabo da genoa e fixação do mastro...
Ainda vai ter a função de amarrar a genoa, adriça de baixar a genoa e cabo estabilizador do conjunto.

Chapa de 2mm de inox 316 para os brandais.





Cunhos para as extremidades das vigas, base e vaus do mastro, e etc





Infelizmente não tenho imagens da construção dos estrados,
e foram feitos usando o principio dos que estão nos planos, mas reforçados...
Muitos aspectos foram reforçados em relação ao plano original:
- Anteparas de 6,5mm em vez de 4mm,
- Vigas mais robustas em altura e largura, pois usei madeira com 25mm de altura em vez de 19mm,
- Estrados de 6,5mm com reforços feitos com parte da madeira que deveria ser usada no mastro,
- O encaixe das vigas também foi reforçado,
...e etc etc, ou seja tudo a pensar nas aguas que existem no Mar da Palha, e nas "tareias" que as vezes levamos...

Outras coisa foi uma mistura de ideias tiradas de outros catamarans maiores do mesmo projectista, como por exemplo a base do mastro e a carlinga (1). Outras coisas são ideias tiradas daquilo que tenho visto em outras embarcações...
mas tudo com uma boa dose de "bom senso" e para melhorar o fim que vai servir...

(1) Carlinga: é a base onde se apoia o mastro.
Noutros tempos e noutros tipos de embarcações era ou é feita em forma de caixa e antes de colocar o mastro era cheia de sal para evitar o apodrecimento da madeira pela agua das chuvas.
Os tempos mudam e outras soluções nascem, esta foi a que escolhemos e que nunca vai acumular agua ou humidades...





Reza a historia que se deve por sempre uma moeda debaixo do mastro...
e esta espécie de tradição remonta a séculos antes de Cristo.
A moeda é suposto ser o pagamento duma tarifa ao Deus Grego Caronte e bla bla bla....
Depois a cena da moeda evoluiu para uma simples superstição e muita gente nem sabe o porquê...
Eu também não sabia se não fosse pesquisar a origem da coisa...

Isto da moeda parece ser um assunto muito serio... eheheh
...e fica aqui um testemunho que encontrei na net.

Pergunta feita em um grupo de velejadores americanos num forum, (set 2004):

- Ao tirar o mastro do meu barco caiu uma moeda (era um dólar de prata de 1880). 
Devo colocar a mesma moeda ou substitui-la por uma mais recente?

Respostas:

- Deves por essa e acrescentar uma nova, de preferência de ouro ou prata, mas não precisa de ser rara. É assim que se atrai a sorte para o barco.

- Põe como estava. Há um corolário que diz que todos os barcos mal nomeados afundam. ... Há uma bem estabelecida estatística de que marinheiros supersticiosos naufragam a uma taxa muito menor do que os não-supersticiosos...

- Tenho ouvido falar de barcos com 3 ou 4 moedas em baixo do mastro, adicionadas à medida em que os anos passam e o barco vai trocando de dono.

- É melhor substituir por um cartão VISA. Um dólar de prata não te leva nem de Seattle a Bremerton actualmente. :-)

...e aqui está ela!!
a moeda que foi escolhida para a tão importante tarefa.

Não é pelo valor que não tem...
mas pela beleza que eu acho que tem!

O nosso Escudo e a nossa Cruz de Cristo fica sempre bem.







Pensava eu... que em 2 ou 3 messes fazia o Hitia 14
vá-lá... 4 messes e mais uns dias...

Mas forram 12 messes usando todos os dias e horinhas livres.

Ferramentas foram muito poucas,
o que dificultou e de que maneira as coisas...
outras tiveram que ser "inventadas" ou criadas...

Até uma espécie de torno mecânico fizemos,
que teve como resultado a imagem ao lado...

O importante é que "levamos a agua ao nosso moinho",
e do resto não reza a história...

Já dizia o meu "Velhote"
- quem tem unhas toca viola! quem não tem, também toca... escavaca é a cabeça dos dedos!
...e eu escavaquei mais uma vez as minhas eheheheh

Brevemente... ajusta-se as velas ao vento que houver,
que a agua do Mar da Palha vai-se ajustar às pirogas...
...e depois logo se vê!






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