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sábado

Vistoria duma Embarcação de Recreio - Classe 5



Embora dei-a trabalho e tenha custos,
...e não querendo entrar em "politicas"  ou discussões sobre este tema,
pois reconheço que algumas (ou muitas) coisas podiam ser melhoradas neste âmbito.

Mas tal vistoria tem que ser feita de 5 em 5 anos,
e se tudo estiver OK, (e para nossa segurança, deve estar sempre) não passa duma mera rotina...

No meu caso, é apenas um "pequeno" e velho Bote de madeira à vela sem motor de classe 5.
Tenho um amigo que tem um veleiro de classe 4, e digo-vos, parece-me ser uma verdadeira dor de cabeça, provocada por despesas e burocracias...
...mas vamos esquecer a "tormenta" dos outros, e fazer "rumo" para a vela ligeira.





Tal vistoria começa com a marcação da mesma,
e bastou dirigir-me à Delegação Marítima da minha zona (Barreiro), e fazer a marcação da mesma.
Convém e é do nosso interesse, que tal marcação seja feita com alguma antecedência, do tipo 1 ou 2 meses, e se for na época de ferias (Agosto), talvez 2 a 3 meses...

Bom...
mas existe sempre uma boa-vontade e um bom-senso nos responsáveis que encontramos no Barreiro,
e eu lá me dirigi sem qualquer antecedência, e ainda por cima,
a pedir as coisas para "ontem"... e tive sorte.

A marcação foi marcada para um dia que eu estava de folga, e embora pudesse pagar todo o processo no final da vistoria, paguei tudo nesse mesmo dia.
Custou 35€ (deslocação + impostos + etc etc)

Foi-me entregue uma folha, onde constava a hora e dia da vistoria, e o que tinha de ter ou respeitar para a dita vistoria.


Paço a citar o que vem nesse documento:
(Para o "Mirror do Tejo" bastava ter o que está a cinzento)





EMBARCAÇÕES DE RECREIO - CLASSE 5
Dec.lei 124 / 2004 de 25 de Maio, Artº 8 do Reg. da Náutica de recreio
(Navegação em aguas abrigadas)

-  3 milhas de um porto de abrigo se movidas à vela ou motor

-  1 milha da costa se movidas a remos



INSCRIÇÕES EXTERIORES 
Dec.lei 124 / 2004 de 25 de Maio, Artº 8 do Reg. da Náutica de recreio
(conjunto de indentificação (CI) + Nome)

-  Na popa, o nome a bombordo e o porto de registo a estibordo, 
   de cor contraste, maior ou igual a 6 cm de altura.

-  Os caracteres do porto de registo são de dimensão menor aos do nome.

-  Nas amuras, ligeiramente a vante, o conjunto de identificação.

-  Nas embarcações de apoio, deve estar inscrito, em local bem visivel o nome da embarcação
   principal seguido da abreviatura "AUX", em carateres de altura não inferiror a 6 cm.



EQUIPAMENTO DE PRIMEIROS SOCORROS
Portaria nº 1464 / 2002 de 14 de Novembro

-  Pensos preparados sortidos (pensos rapidos) - uma caixa de 20 unidades.

-  Uma ligadura crepe com 7 cm x 4 metros.

-  Um afinete de dama.


Meios de salvação (Bóias)


-  1 (uma) - entre 5 e 9 metors

-  2 (duas) - entre 9 e 15 metros.

-  4 (quatro) - entre 15 e 24 metros.

-  Uma bóia com retenida de 30 metros 
   e se estiver duas ou mais, uma delas deverá ter sinal luminoso.

-  Coletes
   Total da lotação da embarcação (para crianças devem ser utilizados coletes adequados)

-  Fachos de mão
   2 (não é necessário nas ER que naveguem dentro de barras)

-  Bomba de esgoto  - Manual, mecânico ou eléctrico 
   (ER com menos de 5 metros pode ser vertedor)

-  Escada de acesso  - Se o painel de popa se encontrar a 50 cm da linha de agua.


Extintores de pó químico

-  1 (um) 1kg ER boca aberta ou parcialmente aberta com motor FB.
-  1 (um) 2kg junto ao motor para ER de motor interior.
-  1 (um) 1kg na cozinha.
-  1 (um) 1kg no salão.

Não são permitidos CO2 e Halon



AJUDAS À NAVEGAÇÃO
Portaria nº 1464 / 2002 de 14 de Novembro


-  Agulha magnética de governo.

-  Sinalização sonora.



PALAMENTA DIVERSA
Portaria nº 1464 / 2002 de 14 de Novembro

-  Ferro de fundear

-  Navalha de ponta redonda.

-  Lanterna estanque com pilhas sobressalentes.

-  Cabos de amarração e reboque

-  Bandeira nacional (facultativo)

(FIM DE CITAÇÃO)



A vistoria é feita em duas etapas:
- uma a "seco",
- e outra em "molhado".

Em "seco" consiste em inspeccionar o exterior do casco e também o interior fora de agua, e garantir que a embarcação está em bom estado estrutural...
É também verificada toda a palamenta e seu estado.
Além das verificações, é feito um registo que pode ser escrito ou fotográfico duma boa parte da palamenta (por exemplo dos coletes e suas características)

Por fim, em "molhado", onde se faz o teste final à embarcação e em condições normais de navegação.
Durante esta 2ª parte é feito um registo fotográfico da embarcação, onde terá que ser visível nas fotos todas as "inscrições exteriores" de identificação da embarcação.

Como o Bote é pequeno e leve, estas duas etapas foram feitas no mesmo dia e hora,
mas com embarcações de maior porte, sem atrelado, muitas vezes são feitas em dias diferentes.

Uma coisa acho que devia constar naquela lista de palamenta: REMOS...
por alguma razão, não existe, mas nunca vou para a agua sem eles.





FACHOS DE MÃO :
Como fiz a vistoria em aguas abrigadas, não necessitei de apresentar os 2 fachos de mão.

Mas tudo se complicava se fosse uma vistoria fora dessas aguas,

Teria de dirigir à Capitania de Setúbal a pedir uma declaração que necessitamos de comprar os fachos de mão.

Com essa documento, vamos à PSP pedir uma outra declaração para a compra dos fachos.

Ou seja: são duas declarações que têm custos de processo, e demoram sempre vários dias para serem processadas.  A venda dos fachos só será feita se apresentarmos essa ultima declaração, e apenas entregam os fachos à pessoa que vem mencionada na declaração.

As duas declarações não sei quanto custam,
mas no meu caso, além desse custo, teria de fazer (no mínimo) 4 viagens (200 kms),
mais 4 dias parcialmente perdidos em horário de expediente nesta "lenga lenga" burocrática.

Os fachos têm um custo de 25€ cada com validade de 3 anos. (exemplo)

Em contra partida, pode-se ir a Espanha e comprar 2 fachos de mão por menos de 5€ cada,
necessitando apenas de apresentar o Cartão de Cidadão numa loja náutica.
Alem de serem mais baratos e vendidos no momento, os fachos Espanhóis tem uma validade de 5 anos ao contrario dos caríssimos Portugueses que têm uma validade de 3 anos.
É caso para se dizer: " ... ... não!! nem o vou dizer "




Resumindo e concluindo:
- e falando honestamente, nunca gostei nem gosto de ser fiscalizado, 
mas desde o inicio encarei esta primeira vistoria com um optimismo do tipo, 
"quem não deve não teme..."
Embora tenha sido tudo muito formal e profissional, "by the book"
(pois estamos a falar dum senhor que é Tenente da Marinha, e que respira perfeccionismo no que faz)
Desde que começou até que acabou, existiu sempre um ambiente agradável, onde a parte didáctica e partilha do porquê disto e daquilo esteve sempre presente durante toda a inspecção.




E como fomos por agua até ao local da vistoria... o regresso foi mais do mesmo.





OBRIGADO pela visita ao Blog
e bons-ventos ou boas curvas (desta e das outras)

(Edgar)